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Walquíria e a Farm: um case de sororidade

por @BibianaMaia

Eu não sou gorda. Tenho 1,60m de altura e uns 50 kg, por aí. Nunca ouvi piada de gorda e não sei o que é sofrer com isso. Mas Walquíria sabe. É uma questão que ela enfrenta diariamente.

Tampouco sou amiga da Walquíria. O mais perto que estive dela foi uma conversa por inbox no Facebook com sua mãe, Simone. Esta não se cansou até ouvir um pedido de desculpas da Farm após sua filha ter sido maltratada em uma loja do shopping Iguatemi, em São Paulo.

Ainda assim, eu fiquei estarrecida com o caso e seu desenrolar por causa de uma palavrinha chamada sororidade. O termo nada mais é do que as mulheres terem mais empatia e, no bom português, parceiragem.

Quando minha amiga Larissa me avisou do caso (se não acompanhou, entenda aqui), achei mais é que todo mundo tinha bombardear a página da Farm, tão acostumada a comentários fofinhos, good vibes, mais amor por favor. Felizmente, isto já estava rolando.

Um time incansável publicou diariamente comentários nas postagens da marca e ainda respondeu a quem achasse “que aquilo era muito chato”. De tanto que a gente comentava, já se conhecia. Fiquei feliz de conseguir reunir uns 300 likes (valeu, Luã) numa postagem em um evento da Farm. Eu senti que tinha parceiragem. Sororidade.

Quase um mês depois sendo ignoradas, me parece que a marca percebeu que não iríamos nos cansar. E para blogueiras que acharam que boicote e reclamação não deve ser ação coletiva, aqui está o resultado da nossa pequena batalha: um pedido de desculpas.

Foi sincero? Não temos como avaliar, mas demorar tanto a dar uma resposta me pareceu a pior estratégia possível. Virou uma bola de neve. Agora, todas resolveram colocar para fora as opressões que sofrem nas lojas nos quatro cantos do país. Não é difícil achar relatos de preconceitos raciais, econômicos e territoriais (sim, suburbanas podem querer usar Farm).

E quando ocorre sistematicamente, em tantos espaços diferentes, bem, é porque está na raiz da cultura da empresa. Um negócio que tem uma grade de tamanhos bem menor do que outras lojas do ramo, onde PP tem vez, mas o GG não, apesar de existirem mais pessoas no Brasil usando o segundo tamanho, é gordofóbico sim. Mesmo que trate bem todos que entrarem em suas lojas.

Eu desejo, do fundo do coração, que todos os níveis desta empresa repensem. Sem consumidoras, vocês não são nada. Desde as vendedoras preconceituosas, até Marcello, seu fundador. E quando você mexe com Walquíria, mexe com todas as outras também.

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