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Volta às Aulas: Papel reciclado ou de reflorestamento?

Sempre usamos muito papel, mas como essa é uma época em que concentraremos a compra deste produto seja em forma de sulfite, cadernos, livros, etc., vale a pena a reflexão antes de irmos às compras.

Recentemente em uma conversa pelo Gtalk com a @Samegui, ela me fez o seguinte questionamento?  

O papel branco de origem certificada é equivalente ao papel reciclado, em termos de impacto ambiental?

Segundo Elizabeth de Carvalhaes, diretora da Bracelpa, entidade que reúne fabricantes de celulose e papel, é exatamente isso, pois ambos têm origem em florestas plantadas. Será!?

Resolvi pesquisar um pouco, pois muito ouço falar do assunto, inclusive questionamentos sobre a eficiência ambiental do papel reciclado. Abaixo segue o que encontrei, no final cito as fontes.

Para começar muitos fabricantes de papel exibem com orgulho o certificado FSC, que atesta que o produto vem de florestas plantadas. Vamos entender como o certificado funciona.

No Brasil 100% da produção de papel e celulose já emprega matéria-prima de áreas de reflorestamento segundo o IDEC, principalmente de eucalipto (65%) e pinus (31%). Claro que isso é importante, o problema é que quando o reflorestamento é feito nos moldes de uma monocultura em grande extensão de terras, não é sustentável porque causa impactos sociais e ambientais, como pouca oferta de empregos e perda de biodiversidade. Inclusive, de acordo com algumas pesquisas científicas, a monocultura do eucalipto, consome tanta água que pode afetar significativamente os recursos hídricos. Mas vale ressaltar que para obter o certificado, não adianta somente utilizar-se matéria-prima de reflorestamento. Para obter a certificação a empresa precisa do aval das comunidades do entorno, o que a Aracruz não conseguiu no Espirito Santo, aonde atua o movimento Rede de Alerta contra o Deserto Verde (como é denominada a monocultura do eucalipto), a rede integra cerca de 100 ONGs da região.

Segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase, uma organização não-governamental que atua na área sócio-ambiental, a Aracruz Celulose invadiu áreas indígenas em processo de demarcação e expulsou índios tupiniquins e guaranis de 40 aldeias. No norte do estado, a empresa ocupou terras quilombolas, expulsando cerca de 10 mil famílias", afirma. De acordo com a Fase, atualmente restam apenas seis aldeias indígenas, que reivindicam 10.500 hectares indevidamente apropriados pela empresa, e 1.500 famílias quilombolas. "Junto com pequenos agricultores, essas comunidades, mesmo tendo resistido a pressões e permanecido em suas terras, sofreram perdas enormes e hoje vivem ilhadas entre eucaliptos, sujeitas às freqüentes aplicações de agrotóxicos".

Outro certificado importante é o Carbon Footprint – que informa ao consumidor o total de carbono que o produto emite na atmosfera. De olho na demanda por papéis com selo verde, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) fez o mapeamento dos gases de efeito estufa do seu processo de produção e é a primeira no País a ostentar o selo – além dela, só a fabricante norueguesa Sodra possui a certificação.

Em setembro de 2009, como resultado da incorporação da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP), nasceu a Fibria líder mundial na produção de celulose de eucalipto, que reunirá as melhores práticas ambientais de cada uma.

Na defesa do papel reciclado, pesa que reciclar papel e papelão não só ajuda a reduzir o volume de lixo como evita a derrubada de árvores. No Brasil apenas 37% do papel produzido vai para a reciclagem. De todo o papel reciclado, 80% é destinado à confecção de embalagens, 18% para papéis sanitários e apenas 2% para impressão. Ou seja, há muito “lixo” por ai para ser aproveitado, e deixar de ocupar espaço nos já abarrotados lixões por até 6 meses.

Lembremos que a reciclagem também é uma indústria que consome energia e polui, mas segundo Paulo César de Paiva da USP com uma significativa economia de recursos naturais. O quadro abaixo apresenta os cálculos feitos por Paiva, aonde podemos observar o resultado obtido caso todo o Instituto de Psicologia da USP, que consome em média 110 mil folhas de sulfite por mês, optasse pelo papel reciclado:

Período

Folhas utilizadas
Energia poupada
Água economizada
Árvores não derrubadas
Redução na emissão de CO2

No mês

110 mil

1.936 Kw/h

47.432 litros

29 árvores

1.210Kg de dióxido de carbono

No ano

835 mil

14.696 Kw/h

360.052 litros

220* árvores

9.185Kg de dióxido de carbono

Agora é fazer a sua escolha!

Nota: A Suzano, que detém a maior fatia do mercado de papel reciclado, também já exibe um selo de neutralização das emissões.

Fontes: Painel Florestal, Ecologicamente Sustentável, Planeta SustentávelIdec e USP.

6 comentários sobre “Volta às Aulas: Papel reciclado ou de reflorestamento?

  1. Débora

    O papel reciclavel é uma bela iniciativa que as pessoas devem aderir. A repartições públicas são um exemplo de instituições que utilizam o papel reciclavel.

  2. Beatriz

    Galera! Os dois tipos de papel contribuem na preservação do meio ambiente, concordo com vcs. O pior de tudo é o mundo não se consciientiza sabe? Tá mais do que na hora de todo mundo lunta contra o aquecimento global.

  3. Débora

    Isso mesmo… Olha gente são nas coisas pequenas que conseguimos mudar o mundo…. Usem pra que voces possam indicar. Eu mesmo uso. E lá no meu serviço também.

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