Trabalho infantil, como enfrentar esta realidade

@AlineKelly 17 de abril de 2012 5

As vezes temos a impressão que esta é uma questão do século passado não é? Sabe quando ouvimos as histórias de nossos pais/avós contando do quanto trabalhavam aquando eram criança?
Sim, o número de crianças trabalhando caiu nas últimas décadas, mas  ainda há 132 mil crianças provendo a principal renda da família, segundo o IBGE. O impacto mais visível desta realidade e a taxa de escolaridade das crianças ocupadas (trabalhando) e a das que nã trabalham.

A inclusão ou permanência de crianças e adolescentes na população estudantil pode ser impedida ou dificultada pelo seu envolvimento em atividade econômica. As crianças e adolescentes ocupados apresentaram nível de escolarização menor do que aqueles que não trabalhavam. A taxa de escolarização dos ocupados ficou em 80,3% e alcançou 91,1% entre os que não trabalhavam.

Para debater o tema e propor alternativas de enfrentamento, que no dia 11 de março representantes do governo e sociedade civil reuniram-se no seminário Cenário atual do trabalho infantil e os desafios da sociedade brasileira para combatê-lo”.


Como bem citou em seu post a insider Samantha Shiraishi:  precisamos rever nossa posição confortável. Treze setores da economia brasileira foram citados em uma lista global de produtos feitos com trabalho infantil e forçado elaborada pelo Departamento de Trabalho dos EUA, confirmando o que quem vai pro interior vê: há trabalho infantil na produção de tijolos, cerâmica, algodão, calçados, mandioca, abacaxi, arroz, sisal e tabaco. No trabalho forçado, são cana-de-açúcar e madeira. E em ambas as situações, gado e carvão vegetal. Na cidade não é difícil ver crianças no trabalho doméstico, em lava-rápidos, comércios, vendendo no farol, é preciso assumirmos esta realidade e encontrarmos alternativas para estas crianças e suas famílias.

Fui educadora de um dos projetos ligados ao SUAS – Sistema Único de Assistência Social, o PróJovem adolescente. O que pude perceber que este enfrentamento só será eficiente, quando conseguirmos prover outras alternativas a estas famílias, que garanta inclusão de renda e o desenvolvimento da criança e do adolescente, garantindo o seu direito por exemplo a educação. Sou a favor de programas de menor aprendiz (acima de 14 anos), de estágios, mas não podemos compactuar com a exploração de crianças e adolescentes, atitude que muitas vezes afastam a criança da escola.

Muitas pessoas falam mal dos programas de transferência de renda, mas eu vi vários jovens que só puderam completar o ensino médio sem trabalhar horas em uma atividade que prejudicasse o seu rendimento escolar, devido a essa ajuda de custo. E ao participarem de sócio-educativos apoiados por estes programas, acabam tendo acesso a oportunidades que antes não vislumbravam ou não conheciam o caminho para ter acesso.

Quer um exemplo? David Trindade, ex-participante do ProJovem adolescente da Casa da Juventude nos Pimentas-Guarulhos:

 “O programa mudou a minha vida, aprendi como me comportar em entrevistas e isso fez a diferença”, assegurou. Depois de participar do programa, o David atuou como monitor em um telecentro da Prefeitura, na região em que mora e foi aprovado na seleção de aprendiz de uma grande empresa farmacêutica de Guarulhos, ter boas notas na escola, foi fundamental para a aprovação.

Há muito o que ser discutido,como garantir o direito destas crianças,  que oportunidades gerar para estes adolescentes, como incluir estas famílias, como impedir a exploração, há muito a ser discutido, e esta é uma responsabilidade de toda a sociedade.

Quer saber sobre o que diz o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente sobre o trabalho infantil? Confira o post da @blogdati.

 

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