Pin It

Não é porque acredito no modelo de ciclo único, que também não tenha meu pé atrás com a reorganização escolar

Na semana passada, participamos de uma reportagem do SPTV sobre escolas de ciclo único. A repórter Carla Modén acompanhou o nosso desafio de conciliar a rotina escolar das minhas filhas, que estão no Fundamental I, do meu filho que está no Ensino Médio, com o meu trabalho e as atividades de contra-turno escolar deles.

Engtrevista para p SPTV sobre escolas de ciclo unico

Clique na imagem para acessar a reportagem na integra

No final do ano passado resolvi que as crianças iriam estudar perto do meu trabalho, bairro em que elas já há alguns meses realizavam atividades de contra-turno no Sesc e na Fábrica de Cultura. Foi a solução que encontrei para conciliar o meu trabalho com o cotidiano deles, e também para no caso das meninas que ainda são pequenas, não ter que recorrer novamente a recreação infantil, que já não estava adequada para a idade delas.

As meninas estudavam em uma escola municipal que só tinha o Fundamental I, mesma escola que o Gabriel havia estudado há alguns anos. A experiencia da nossa família em dois momentos diferentes da nossa rotina escolar, nos deu a convicção de que o modelo de gestão focado em um fase especifica, é mais eficiente, principalmente quando observa-se questões estruturais (a reportagem do SPTV aborda isso). Então pense a minha insegurança quando comecei a cogitar mudar as meninas de escola? 

Mas foi pesquisando em um site de dados educacionais, o QEdu, que descobri que aquela escola estadual perto do meu trabalho, era somente de Fundamental I,  assim como na mesma região, havia uma escola somente de Ensino Médio. E foi assim que nos jogamos nessa aventura, e olha, estou muito feliz. Apesar da correria (acredite, a reportagem não mostrou nem a metade), agora posso participar mais do dia a dia deles, e quanto ao processo educacional em si, aprendi que o problema não está na rede de ensino estadual, mas na gestão de cada escola, que há sim bons modelos, e que estes precisam é ser ampliados.

MAS……….

Sim, sempre tem um mas…. nem por isso deixo de ter meu pé atrás com o atual modelo de reestruturação escolar adotado pela Secretaria de Educação de SP. Como já falei aqui, bem sabemos da superlotação de muitas salas de aula na rede estadual. Na escola que meu filho estudava ano passado, era comum os alunos terem que procurar carteiras vazias em outras salas, pois a deles já estavam lotadas.  E já foi confirmado que pelo menos 94 escolas serão disponibilizadas (em outras palavras, fechadas e em alguns casos o prédio será cedido para uma nova função). Alguém sabe dizer qual foi o critério para definir quais serão essas escolas? 

A falta de diálogo e de transparência na concepção desta reestruturação é assustador. Afinal estamos falando da vida de mais de 300 mil alunos que serão impactados com essa mudança. Cadê a gestão participativa que tanto é pregada na rede? E a ideia de que educação de qualidade acontece com uma parceria entre escola, poder público e sociedade? Com tantas incertezas, paira no ar muitas dúvidas e desconfianças, de afinal qual é o objetivo desta reorganização.

Eu fico aqui na torcida para que seja realmente para otimizar o funcionamento destas 1464 escolas que serão impactadas já no próximo ano (a lista das escolas ainda será divulgada). Que o foco seja na melhoria da educação, que passa por melhores condições de trabalho para os professores, e de estrutura para os alunos (não adianta salas adaptadas com mais de 50 alunos).

Quero um dia poder ver na porta de todas as escolas, crianças felizes e animadas com mais um dia de aula, assim como vejo todos os dias lá na porta do Queiroz.

Sobre a reorganização escolar em SP:

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (26) que a reorganização do ensino escolar vai afetar diretamente 94 escolas, que serão ‘disponibilizadas’, mas que continuarão sendo usadas na área da educação. Desse total, 66 já têm o novo uso definido e poderão abrigar unidades de ensino técnico ou ainda virar creches e escolas municipais, por exemplo. As outras 28 ainda têm destino incerto.

Ao todo, a reorganização do ensino vai disponibilizar 1,8% das 5.147 escolas do estado. No total 1.464 unidades estarão envolvidas na reconfiguração, mudando o número de ciclos de ensino que serão oferecidos.

Segundo a secretaria, 311 mil alunos terão de mudar de escola do total de 3,8 milhões de matriculados. A mudança atinge ainda 74 mil professores.

A reorganização vai separar a maioria das escolas em unidades de ensino fundamental 1, para crianças do 1º ao 5º ano; ensino fundamental 2, do 6º ao 9º ano; e ensino médio.

O número de escolas com ciclo único vai subir de 1.443 unidades para 2.197, ou seja, um aumento de 754 escolas. Com isso, 43% das escolas do estado terão apenas um ciclo. Para a Secretaria da Educação, a melhora no rendimento dos alunos nas escolas de ciclo único é de 15%.

Fonte: G1 SP

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: