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Como há mais de 20 anos convivo com o racionamento de água

Neste ano quase não vimos nos noticiários as já conhecidas cenas de alagamentos na Grande São Paulo. Mas isso não foi por conta das obras de drenagem, e sim porque simplesmente NÃO CHOVEU. Desde dezembro do ano passado tem chovido pouco, uma média de 83 milímetros, o menor índice nos últimos 84 anos.

Mas nos últimos dias o que não faltou nos noticiários foi o preocupante baixo nível das represas que abastecem a Grande São Paulo. O caso mais crítico é do Sistema Cantareira,  que fornece água para 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo e está com pouco mais de 21% de sua capacidade, a menor dos últimos 10 anos.

infografico-cantareira-2014(Fonte: G1 – São Paulo)

 

A previsão é que só volte a chover no fim de fevereiro, e mesmo assim ainda será abaixo da média. Portanto é mais que urgente que a população colabore usando a água de forma racional. Aí você me pergunta: e como fazê-lo neste calor? Por isso resolvi escrever este post contando um pouco do meu cotidiano e de outras 15 mil pessoas que moram em um pedacinho da cidade de Guarulhos entre a Rodovia Ayrton Senna e o Rio Tietê.

A cidade de Guarulhos, compra por atacado da Sabesp, por meios do Sistemas Cantareira e Alto Tietê, cerca de 87% da água que distribui. A região em que moro é atendida pelo sistema Alto Tietê. Me recordo quando no início dos anos 90 começou as obras que trariam água encanada para o nosso bairro, até então só tínhamos água do poço.

O sufoco de puxar água no balde havia acabado, mas isso não era garantia de água o tempo todo. Aqui desde sempre o abastecimento é por revezamento, 24 horas com água, e 24 horas sem, com isso todos foram obrigados a racionalizar o consumo.

Claro que ajuda o fato de ser um bairro com casas, e não prédios, assim cada família se organiza dentro de sua necessidade, além da maior parte das casas possuírem caixa D’Agua própria. Aqui o cotidiano do lar é organizado da seguinte forma: o dia que tem água da rua e o dia que não tem. Roupa só se lava no dia que tem água, com isso todos já acabam na marra realizando aquela dica de acumular a roupa para lavar, a faxina na casa também é feita orientada pelo racionamento, e assim as pessoas se acostumam a se organizar, aproveitando a água da máquina para lavar o quintal, tomando banho mais rápido, reduzindo os desperdícios, pelo menos no dia que não tem água da rua, o que já garante 15 dias de uso racional. O consumo para alimentação, hidratação é higiene pessoal é garantido pelas caixas d´aguas, que geralmente são de mil litros.
calçadalavarmangueira

É meus queridos, como já dizia minha mãe (e minha avó): se não se aprende pelo amor, se aprende pela dor. Mesmo que obrigados (e não por consciência ambiental) as pessoas por aqui também tem sempre que economizar. Claro que no dia que tem água ainda vemos aquelas cenas bizarras de calçada sendo “varrida” com a mangueira, o carro sendo lavado por horas, e já teve até um dia que discuti com uma vizinha porque ela lavara a rua que estava com terra por conta de uma obra da concessionária de água, ela não gostou quando a questionei da validade disso (já que a obra não havia sido fechada), e soltou o bordão: “estou pagaaaaando!”.

Não é porque você está pagando que você pode desperdiçar um recurso finito e que não é só seu, é de uso coletivo. E o que aprendi por experiência própria? Desde que o racionamento seja planejado e com pequenos intervalos entre o abastecimento (não vale ficar 3 dias sem água), pelo menos nas residências as pessoas conseguem SIM se organizar e manter o seu cotidiano, com exceção de prédios ou quando a caixa d´água é coletiva, acredito que nestes casos seja mais complicado, mas não impossível.

greendicas - balde

Tendo racionamento ou não no seu bairro/cidade, faltando água ou não, já passou da hora de aprendermos que é preciso economizar no consumo da água. Lembram quando o “apagão”  ocorrido em 2001 ensinou muita gente a importância de se economizar luz elétrica?

Fica a dica: Em São Paulo e em Guarulhos quem economizar água receberá desconto na tarifa que pode chegar a 30% da conta. Para saber mais clique no link sobre o nome da cidade em questão.

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2 comentários sobre “Como há mais de 20 anos convivo com o racionamento de água

  1. Pingback: Por que SÓ Guarulhos vai "pagar" a conta do racionamento?

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