Pin It

Meu pitaco (ou tentativa de opinar) sobre o filme “Que horas ela Volta”

“NÃO ME ACHO MELHOR QUE NINGUÉM, SÓ NÃO ME ACHO PIOR”

Essa frase da personagem Jéssica foi em mim um “tapa na cara”, pois neste momento eu percebi o quanto o filme mostrava como estamos acostumados a manter o “status quo” e o quanto mesmo que de forma inconsciente, traçamos uma parede invísivel que tenta colocar cada um em um sistema social tipo o de castas, em que se espera que eternamente fiquemos ali, naquele mesmo lugar, como se fosse uma ofensa questionar esse padrão (sabe quando a Jéssica diz que vai prestar vestibular para a mesma faculdade que o filho da patroa?).

Veja o fime com o coração aberto, e esqueça que o filme é estrelado pela apresentadora do Programa Esquenta​. Depois me diga se em algum momento da sua vida, você já não esbarrou com algum daqueles personagens?

Posso dizer por mim. Não sou rica, longe disso, moro na periferia, mas mesmo assim ao ver o filme fiquei com o incomodo sentimento de que já tive uma Val em minha vida.

A Tia Lu era uma querida, de verdade. Me ajudava com as crianças além das minhas expectativas, e apesar do meu esforço para que ela se sentisse à vontade (não estou tentando dizer que sou legal ok?, mas porque acredito que todo mundo trabalha melhor quando está feliz, e porque sempre me lembro de que não quero ser a oprimida que replica o discurso do opressor), ela sempre me tratava com cerimônia. Uma das coisas que eu achava super absurdo e sempre comentava, é que ela raramente comia aqui em casa, mesmo ficando com meus filhos cerca de 6 horas.

Outra coisa, a Tia Lu tem uma filha um pouco mais velha que as minhas meninas, e eu sempre a convidava para vir brincar aqui em casa. Mesmo sendo criança, brincando com outras crianças, muitas vezes ela repetia as mesmas cerimonias da mãe. Posso estar problematizando, mas pensei muito nelas ao ver a cena da Val e da Jéssica conversando sobre o pote de sorvete (pensa em uma pessoa vendo um filme e se fazendo perguntas do tipo – será que achavam que eu estava querendo ser educada? Justo eu? Não….)

Ao fim do filme fiquei com um gosto amargo na garganta, e sem palavras até hoje para explicar o incomodo que senti. Quem sabe hoje depois que rever o filme consiga explicar melhor (será exibido na Tela Quente). Mas sei que fiquei pensando muito na nossa sociedade, e como muitas vezes ciclos são perpetuados e se repetem por conta de diversos atores. Dos que como a Val acham que não se deve questionar, ou pessoas como nós que ao ver o filme, por algum momento acha a Jéssica folgada ou sem noção, ou por conta de um sistema feito para oprimir. Só sei que precisamos ser mais Jéssica, precisamos questionar modelos sociais que tentam nos enfiar goela abaixo e muitas vezes, nem percebemos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: