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O dia que fui intimida pela justiça por divulgar um protesto pelo Facebook

Contei aqui detalhadamente como me envolvi com o Movimento pela Nova Ponte Itaim – Vila Any, sugiro a leitura. Resumidamente a minha contribuição principal com o movimento era divulgar a mobilização pelas redes sociais, já que em meu perfil  pessoal eu já debatia o tema desde os dias seguintes a interdição da ponte que liga o extremo do Bairro dos Pimenta em Guarulhos, ao Itaim Paulista – São Paulo.

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Cheguei com o meu marido por volta das 16:15, já havia um grupo concentrado, assim como várias viaturas da PM. Até aí tudo bem, não esperava que fosse diferente. Mas me chamou a atenção quando uma outra viatura chegou e dela desceu um rapaz de social, não sei porque achei que a cena não combinava. Não demorou muito para que um morador do bairro perguntasse só para confirmar: Você é a Aline Kelly né? Confirmei e ele me mostrou o Coronel Redcliff, que por sua vez me apresentou ao oficial de justiça (não lembro o nome dele).

Eu estava sendo citada em um mandato proibitório, imediatamente imaginei que escolheram o meu nome por conta do evento no Facebook que criei para divulgar a manifestação. O oficial me explicou que o mandato não tentava impedir a manifestação, já que essa é uma garantia constitucional, mas que proibia que a manifestação seguisse para a Rodovia Ayrton Senna, que fica à menos de 1 km do local de concentração.

Naquela hora não me preocupei com detalhes, mas em avisar as lideranças para que não seguissem para a rodovia, e buscar uma orientação com amigos advogados se eu deviria ou não assinar o recebimento do documento. Fui orientada a não assinar. De toda forma não seria possível acessar a rodovia, já que o mandato requerido pela Ecopistas (por engano havia escrito antes Ecovias), concessionária que administra a mesma, garantiu a presença pesada da PM, inclusive com o Batalhão de Choque.

Foto de Douglas da Manifestação xs a PM

Esta foto foi tirada pelo Douglas KBça logo após o incidente em que a PM afastou os manifestantes que seguiam rumo a rodovia utilizando de gás de efeito moral. Um dos policiais disseram que só o fizera pois alguém havia atirado uma pedra, eu não vi a cena, mas meu marido disse que um rapaz havia assumido ter atirado a pedra. De toda forma, achei a reação exagerada, já que ainda não havia ocorrido nenhum diálogo entre as duas partes, e até porque como vocês podem ver pelas fotos ao final do post, a maior parte dos manifestantes estavam retornando no sentido contrário a rodovia.

8 - vestigios d abomba de gás

Veja bem no vídeo a quantidade de crianças e mulheres correndo para se esconder:

Depois das lamentáveis cenas do vídeo, o Coronel Redcliff  conversou bastante com um grupo de manifestantes (veja nas fotos no álbum ao fim do post), meu marido com o seu jeito calmo (o oposto de mim), acabou fazendo a ponte.  A PM afirmou que não haveria confronto se a manifestação não seguisse sentido a rodovia. E assim foi, pois como eu disse ao divulgar diversas vezes no evento do Facebook, a intenção é que fosse uma manifestação pacifica, nada a ver com o motivo alegado pela concessionária para solicitar o mandato proibitório:

Em que pese a suposta organizadora, ora corré, ter salientado “via Facebook” que a manifestação é pacífica, não é isso que vem ocorrendo com as diversas manifestações da atualidade. É cada vez mais frequente a notícia de que manifestações pacíficas acabaram assumindo caráter de baderna, vandalismo e violência. Sem desmerecer a intenção dos manifestantes, é de rigor reconhecer a ameaça decorrente dos fatos exposto pela autora, já que a Rodovia Ayrton Senna comporta tráfego de milhões de veículos, e foram diversas manifestações que sob o falso pretexto de “chamar atenção”, acabaram por invadir as pistas de rolamento das rodovias próximas, impedindo a circulação dos veículos. E no caso presente, se assim pretendessem os manifestantes, deveriam requerer prévia autorização ao Departamento de Estradas de Rodagem, conforme Portaria 100 do DER, conforme estipula a própria Constituição Federal.  – veja o resumo do processo aqui.

O calhamaço que recebi junto com o mandato e pretendo digitalizar, se apega a fatos ocorridos em outras rodovias. Há alguns prints sobre o evento criado no Facebook (isso eu só descobri depois que cheguei em casa), mas é claro que nenhum em que eu falo que queremos uma manifestação pacifica foi incluído, somente quando falo isso na descrição do evento, mas o fiz diversas outras vezes.

Enfim, por conta do mandato, mas PRINCIPALMENTE por conta da forte presença policial, o protesto seguiu por algumas ruas do bairro e depois seguiu e direção ao Itaim Paulista. Seguiu pelo caminho de forma pacifica, e conforme caminhávamos novas pessoas se juntavam ao grupo. Infelizmente quase 2 horas e meia depois de protesto, ao chegar no Itaim Paulista um grupo apesar dos diversos reforços e avisos que queríamos uma manifestação pacifica, fechou uma das ruas próximas a estação de trem da CPTM. Resolvemos por bem encerrar o protesto, até porque a aquela altura do campeonato, muitas pessoas já haviam dispersado por conta desta atuação arbitrária.  Sabe como é né? O sonho de todo oprimido é ser o opressor. Como a linguagem que infelizmente predomina em nossa sociedade é o do uso da força (lembram da bomba de gás?), infelizmente há quem ache que esta é a unica forma de se expressar, usar também da força.

Veja na sequência de fotos abaixo como tudo se deu. Eu fico daqui pensando ainda o que farei com este mandato, aceito orientações jurídicas viu? Achei isso um abuso, mas falo mais sobre quando estiver melhor orientada.

Clique para ver a imagem ampliada!

0 - Concentração para o protesto1 - O protesto começa2 - O momento que recebi o mandato proibitório3 - o protesto começa a caminhar4 - o protesto começa a retornar quando veem a tropa de choque5 - o protesto começa a retornar quando veem a tropa de choque
6 - mesmo com a maioria retornando, ao fundo vemos a fumaça do gás de efeito moral7 - manifestantes correndo do gás de efeito moral8 - vestigios d abomba de gás9 - após o gás, a fila da tropa de choque que encontramos10 - após o ocorrido manifestante conversam com a PM11 - Seguindo para o Itaim Paulista
11 - Seguindo para o Itaim Paulista11 - Seguindo para o Itaim Paulista13 - O momento que decidimos acabar com o protesto14 - A PM no Itaim Pta contem o pequeno grupo que tenta fechar a via com fogo15 - Encerramos o protesto e começamos a voltar sentido Vila Any16 Depois que tudo acaba heicopteros da imprensa aparece para dar noticias incompletas (1)
16 Depois que tudo acaba heicopteros da imprensa aparece para dar noticias incompletas (2)12 - O comércio do Itaim Paulista fecha as portas

6 comentários sobre “O dia que fui intimida pela justiça por divulgar um protesto pelo Facebook

  1. Pingback: Ministério público instaura inquérito para acompanhar a situação da ponte Vila Any - Itaim Paulista

  2. Primo Jhow

    INFELIZMENTE ALINE , ALGUMAS PESSOAS TEM CARA E CORAGEM DE IR PRA CIMA QUANDO SE TRATA DE DIREITOS . OUTRAS SÃO VENDIDAS , VERDADEIRAS MARIONETES . ELAS NUNCA VÃO CRESCER,
    VÃO VIVER SEMPRE NA MESMICE , POIS JÁ ACOSTUMARAM A ACEITAR MIGALHAS . AGORA ERA A HORA DE TD MUNDO MOSTRAR O QUE QUER DE VERDADE , IR TDS AO TRIBUNAL COM VC . E NO DIA DA ELEIÇÃO NÃO SAIR NINGUÉM DE CASA . MEU TITULO TEM MAIS DE 15 ANOS , E EU NUNCA VOTEI EM NINGUÉM . PREFIRO PAGAR MULTA O RESTO DA MINHA VIDA , DO QUE SER CONIVENTE COM ESSA PALHAÇADA TD . NO PAIS DA DEMOCRACIA O VOTO É OBRIGATORIO , NEGROS TEM COTAS NAS UNIVERSIDADES , NEM O DIREITO DE SE PROTESTAR É RESPEITADO, E POR AE VAI . O BRASIL ESTA UM LIXO , E A CULPA NÃO É DE GOVERNANTES NÃO , A CULPA É NOSSA . NO DIA DA ELEIÇÃO O POVO DEVIA É FICAR EM CASA . MAS EM VEZ DISSO ACEITAM 10 REAIS QUE NÃO PAGA NEM A CONDUÇÃO , E ELEGEM UM MONTE DE PICARETA .
    MAS FICA DESPREOCUPADA , ISSO AE NÃO VAI DAR EM NADA NÃO . FICA COM DEUS .

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