Pin It

A produção cultural da periferia rompendo os limites dos guetos

Já viram o quadro Cultura da Periferia exibido no SPTV 1 edição aos sábados? Eu curto muito, toda semana eles mostram um pouco do que acontece na cena cultural da periferia paulistana.

A margem do que é mainstream, existe uma produção cultural efervescente que não é ditada pelas regras comerciais das gravadoras, e sim com a identificação territorial e e o “jeito” das pessoas daquela lugar, uma arte humana. Na Cidade Tiradentes, Capão Redondo, Brasilândia e tantos outros territórios, existe pessoas que inclusive vivem de sua arte, mesmo sem nunca ter tocado nas rádios, ou sendo destaque nas grandes mídias, mas que retratam o cotidiano e os sonhos da população destas regiões.

E não existe nada mais eficiente do que se ver  na música ou na telinha, por sinal está foi a fórmula de sucesso de Avenida Brasil, que inovava no horários nobre ao fugir do padrão Leblon do Maneco e buscar uma identificação com a nova classe média brasileira.

E mais do que produção cultural, existe toda uma cadeia produtiva e econômica que está rompendo o limite dos bairros periféricos, saindo dos guetos, e este é um caminho sem volta. A nova classe média está aí não só para fortalecer a economia, mas também para definir novos paradigmas, novos diálogos, seja com o o hip hop paulistano, o funk carioca, ou o tecnobrega do norte.

Não vou discutir aqui a questão da qualidade musical, pois acredito que este é um tipo de avaliação muito pessoal, o que é bom para mim, pode não ser bom para você. Mas defendo piamente que toda avaliação precisa passar pelo entendimento do contexto em que a música é produzida. Historicamente ela reflete os anseios de cada tempo, no rock dos anos 60 no período pós guerra, no rock nacional nos anos 80 no momento de transição democrática, e agora não vai ser diferente nesta transição econômica e social que o Brasil vivencia.

Quando visitei o morro Santa Marta, fiquei sabendo pelo Edimar, morador que nos acompanhou na visita, que as UPPs costumam proibir festas e os bailes funks, que era a principal atividade de lazer, já que geralmente não há muitas outras opções. Você já pensou como se sentiria se fosse proibido de celebrar com seus amigos?

Ao mesmo tempo que o funk é criminalizado, um grupo de jovens dançarinos da Batalha do Passinho (quem não é do Rio, lembra do filho da Penha das Empreguetes?), que cresceu nos bailes, são convidados para participar da campanha publicitária do Governo do Estado do RJ. Motivos: patrimônio cultural, identidade, arte.

E neste contrassenso de falta de diálogo que um grupo de artistas, comunicadores e ativistas sociais do RJ e de SP se reuniram para criar a Funk You (FNKU), que conheci através do Anderson França (Dinho) da Dharma Agênciaum dos idealizadores do projeto. A Funk You foi pensada para ser a marca open source do funk. Isso significa que é aberta a quem quiser usá-la, livre para ctrl+c ctrl+v – isso dissemina o conteúdo simbólico do funk, que pode ser ressignificado e incorporado a outros tipos de contexto, e estimula a criação de uma cadeia produtiva do funk nas comunidades.

Sabe as artes que ilustra este post? Fazem parte do acervo criado pela Funk You reunindo 16 artistas que criaram obras autorais com as suas percepções sobre essa realidade cultural. Tanto a marca como as obras estão disponíveis para download gratuito em alta resolução no site da FUNK YOU.

Novos tempos, novas expressões culturais apoiadas pelo midialivrismo… É queridos, está na hora de estabelecer também novos diálogos, sem os pré-conceitos do que é cult, pop ou brega.  Bem vindo ao novo mundo!

 

 

 

Comments

comments

8 comentários sobre “A produção cultural da periferia rompendo os limites dos guetos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: