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[Vídeo] Precisamos falar sobre racismo, e não dá para marcar hora

Fui marcada por um amigo em um vídeo que está circulando no Facebook e que coloquei aqui no final do post que mostra  uma discussão sobre racismo e cotas durante uma aula na Universidade de São Paulo. Demorei para conferir porque como ele havia dito que gostaria de ouvir a minha opinião, quis ver o vídeo com calma, com certeza que seguiria até o final. E nem sei explicar o que aconteceu, chorei de raiva, de revolta, e olha que nem sou disso.

Estudei em 3 turmas diferentes na faculdade. A primeira turma em uma faculdade de Guarulhos que estava dentro do meu orçamento. As 2 turmas seguintes, na Fecap, faculdade cara no centro de São Paulo que só tive acesso como bolsista Prouni e pela cota como afrodescendente. Mas fui também a PRIMEIRA COLOCADA no vestibular, mereci aquela vaga (como se ter tirado nota no ENEM o suficiente para conseguir aquela concorrida bolsa já não fosse um resultado da minha dedicação). Nos meus 6 anos de faculdade, posso CONTAR NAS MÃOS os colegas de classe que tive que fossem negros. Isso sem contar a luta diária para estar lá, morando há quase 40 km de distância, dependendo do transporte público e com filhos para cuidar. Aí você houve uma fala como esta do vídeo, e não tem como não sentir o coração destroçado.

Queria dizer que talvez a abordagem em interromper a aula foi equivocada, mas pelo que entendi era pra ser uma intervenção rápida, de avisos, mas aí o tema estourou. e na boa, não dá para achar que é preciso escolher hora para falar sobre racismo e preconceito, enquanto estivermos limitando esse debate a agenda com hora marcada, ainda vai ter gente achando que isso não existe.

Não tenho muito mais o que falar neste momento, pois o vídeo fala por si. Tenha paciência de ver pelo menos 10 minutos, e se você chegar até o final, vai ver que na verdade radical é o sistema parça! (preste atenção aos comentários da pessoa que está fazendo a gravação).

E a frase que ficou pra mim ao final do vídeo: “Sobre a dor que você não sente: cala boca e escuta!”

(Rafael Vac​, obrigada por ter me marcado neste vídeo. Na metade já estava chorando. Mas foi importante como reflexão, de que ainda temos muito, muito mesmo que caminhar)

 

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