Pin It

O Apelo de uma nação condenada a ser engolida pelo mar.

Recebi esta mensagem do Movimento 350.org e quis compartilhar com vocês. Fala do apelo de Nasheed, presidente das Maldivas,  nação condenada a literalmente sumir com a elevação dos níveis do oceano.

Desde 24 de outubro, dia em que vocês ajudaram a organizar milhares de eventos pelo mundo inteiro apelando à ação pelo clima, vimos nascer um novo ímpeto político seguindo de perto as soluções climáticas exigidas pela ciência. Depois de nos reunirmos com dezenas de delegados durante esta última rodada de negociações de clima em Barcelona, posso lhes dizer em primeira mão que a sua militância local está fazendo uma imensa diferença – e ajudando a abrir o caminho político para que os líderes nacionais tomem atitudes ainda mais corajosas quanto a esta crise climática.

Esta semana, o Presidente Nasheed – o líder de uma nação que, estando muito pouco acima do atual nível do mar está perante o risco muito real de extinção iminente devido à subida do nível das águas – fez um poderoso discurso na abertura do "Fórum Vulnerabilidade ao Clima". No seu discurso, ele apela a um pacto de sobrevivência, de forma de tão eloquente que você precisa de ler com os seus próprios olhos, e assinar esse pacto de sobrevivência hoje mesmo.

O "Fórum Vulnerabilidade ao Clima" contou com a presença de muitas das nações que estão na linha da frente da crise climática, nações que estão enfrentando os impactos da crise climática aqui e agora.

O ponto central do discurso do Presidente Nasheed foi chamar a atenção para as terríveis consequências de chegarmos ao fim das Conversações de Clima de Copenhague em dezembro com um acordo fraco ou não-vinculativo.

Vou deixar que as palavras do Presidente Nasheed falem por si mesmas:

"Estamos aqui reunidos porque somos o grupo de nações mais vulnerável às mudanças climáticas.

Alguns poderão preferir que a gente sofra em silêncio mas hoje nós decidimos falar… não iremos morrer em silêncio.

Os países ricos membros do G8 propuseram-se limitar a subida das temperaturas a 2º Celsius. No entanto, recusaram-se a comprometer-se com as metas de carbono, o que cumpriria este objetivo, até modesto.

Com mais dois graus perderemos os recifes de coral. Com mais dois graus derreterá a Groenlândia. Com mais dois graus o meu país não sobreviverá.

Como Presidente, não posso aceitar isto. Como pessoa, não posso aceitar isto.

Recuso-me a acreditar que é demasiado tarde, e que não há nada que se possa fazer. Copenhague é o nosso encontro com o destino. Vamos para lá com um plano melhor do que este".

Nasheed apelou a todas as nações para que pressionassem em favor da neutralidade de carbono, para assim garantir a sobrevivência do seu país e de todos os povos mais vulneráveis em todo o mundo:

"Afinal de contas, o que queremos não é carbono, mas desenvolvimento. Não queremos carvão, mas eletricidade. Não é petróleo que queremos, mas transportes. Agora existem energias baixas em carbono, e elas proporcionam todos os bens e serviços de que precisamos. Vamos adotar o seu uso como objetivo".

Finalmente, ele estabeleceu uma distinção entre aquilo que poderemos considerar um bom acordo em Copenhague, e um que acarretaria o fim do seu povo:

"Neste momento todos os países chegam às negociações procurando manter as suas emissões o mais elevadas possível. Nunca assumem compromissos, a menos que alguém o faça antes.

Esta é uma lógica de manicômio, uma receita para o suicídio coletivo.

Nós não queremos um pacto suicida global. E não assinaremos um pacto suicida global, em Copenhague ou seja onde for. Por isso hoje convido algumas das nações mais vulneráveis do mundo a se unirem num pacto global de sobrevivência".

São palavras corajosas, mais corajosas do que a maior parte das pessoas consegue entender.

Eis a história de fundo: o Presidente Nasheed e outros líderes de alguns dos países mais vulneráveis do mundo estão já a ser pressionados para desistirem do seu empenho em tomar atitudes de força. Por exemplo, quando os países africanos, nas conversações de clima da ONU, na semana passada em Barcelona, se ergueram exigindo aos países ricos que se comprometessem com metas mais duras, a representação da UE os pressionou muitíssimo para que desistissem, de tal maneira que o chefe do bloco de negociação africano se viu forçado a abandonar as negociações.

Líderes como Nasheed precisam do nosso apoio. As suas ações a 24 de outubro abriram as portas para uma militância mais forte. E as entregas das fotos dos eventos de 24 de outubro a mais de 110 países em Barcelona (e em outras cidades por esse mundo fora) estão ajudando a transformar esse movimento de bases num ímpeto político.

Agora, apenas há alguns dias de irmos para Copenhague, temos de nos unir. Todos nós, desde Presidentes a políticos, a cientistas e cidadãos, temos de aproveitar este momento e levar este movimento pela sobrevivência um passo mais longe.

Por favor se juntem a nós.

Em frente,

Teresa Niño e a equipe da 350.org

Comments

comments

Um comentário sobre “O Apelo de uma nação condenada a ser engolida pelo mar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: