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A luta pelo direito das crianças levou Nobel da Paz, mas ainda há muito o que conquistar

Nas vésperas do Dia das Crianças foi divulgado a notícia de que a ativista adolescente paquistanesa Malala Yousafzai e o presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil Kailash Satyarthi, ganharam o prêmio o Nobel da Paz 2014. O prêmio foi concedido pelo Comitê pela luta de ambos contra a repressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação.

Isso é sensacional, irá fortalecer a luta, Mas ainda há muito mesmo o que se conquistar, e por isso precisamos continuar nos mobilizando.

Em 1998, Satyarthi organizou uma marcha global contra o trabalho infantil, que mobilizou mais de sete milhões de pessoas em 103 países e terminou na sede da OIT em Genebra, durante a realização da 86ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho. O movimento inspirou a primeira versão da Convenção 182 da OIT sobre a erradicação das piores formas de trabalho infantil, que um ano depois seria aprovada por unanimidade na mesma conferência. Em entrevista para a imprensa indiana Satyarthi disse:

“A pobreza não pode ser usada como uma desculpa para que o trabalho infantil e a exploração de crianças continuem existindo. Existe uma relação triangular entre trabalho infantil, pobreza e analfabetismo, e eu tenho tentado combater tudo isso junto”.

O reconhecimento do trabalho realizado pelo Satyarthi com certeza fortalece a causa. Segundo a OIT, 168 milhões de crianças ainda trabalham em todo o mundo, só no Brasil são .

Quem acompanha o blog sabe que desde 2012 apoio a campanha É da nossa conta! Pelo fim do Trabalho Infantil e pela promoção do Trabalho Adolescente protegido. E fico espantada com os argumentos que vejo de defesa do trabalho infantil. O mais comum é que melhor trabalhando do que roubando ou se drogando, como se a única alternativa para a criança pobre fosse essa.

O melhor é estar na escola, é estudar, ter acesso a iniciativas culturais e esportivas, é proteger a infância para garantir o desenvolvimento integral da criança. Você sabia que o trabalho infantil é uma das principais causas de abandono escolar?  Só no Brasil, mais de 3,8 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola segundo dados do censo de 2010.

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Créditos da foto: sala.org.br

 

E foi ainda muito jovem, que Malala Yousafzai tornou-se a maior voz mundial em defesa da educação feminina. Nos meses em que o Talibã dominou a região em que vivia no Paquistão, entre 2007 e 2009, as escolas para meninas receberam ordem de fechar as portas. As que não obedeceram foram dinamitadas. Por contar das suas privações em um blog e falar contra a opressão sofrida pelas mulheres em seu país, ela se tornou alvo do grupo extremista. Em outubro de 2012, um membro do Talibã disparou contra Malala no ônibus em que a menina voltava da escola. Ela sobreviveu e foi submetida a uma cirurgia na cabeça e agora vive em Birmingham, na Inglaterra, com a família. Símbolo da resistência contra o radicalismo ignorante, Malala lançou um livro em que conta a sua história, Eu Sou Malala.

Ao premiar um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa, o Comitê também apostou em uma “luta conjunta a favor da educação e contra os extremismos”. E você pode fazer parte também desta luta! Conheça e apoie a campanha colaborativa É da nossa conta! pelo fim do trabalho infantil e pela promoção do trabalho adolescente protegido (saiba +).

é da nossa conta!

* Este texto faz parte da blogagem coletiva: A educação como pilar do enfrentamento contra o trabalho infantil

Do dia 15 a 22 de outubro, blogs do Brasil inteiro vão postar sobre o tema: “A educação como pilar do enfrentamento contra o trabalho infantil”. Participe você também postando entre os dias 15 e 22 de outubro. Confira no avidaquer.com.br o post convite e o selo da blogagem você pode baixar aqui.
blogagemcoletiva-educação no combate ao trabalho infantil

2 comentários sobre “A luta pelo direito das crianças levou Nobel da Paz, mas ainda há muito o que conquistar

  1. Pingback: Carta a uma jovem que acreditou que a escola pode ser melhor

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