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O problema não é o consumo e sim o consumismo #blackfriday

O destaque no noticiário de hoje é o Black Friday, dia de supostas megas promoções. Há 3 anos as grandes lojas de e-commerce importaram esta tradição americana (aonde os descontos acontecem de verdade, e há também um contexto cultural que justifica a data). Nas redes sociais e caixas de e-mail pipocam pseudo-promoções e também piadas como:

“Black Friday Day Brasil: Tudo pela metade do dobro”

E há também uma série de questionamentos sobre a temporada de compra que começa oficialmente se seguirá até o Natal. Para iniciar a conversa, primeiro vale destacar a diferença entre consumo e consumismo segundo o dicionário Michaelis:

Consumo: Função da vida econômica que consiste na utilização direta das riquezas produzidas.

Consumismo: Situação caracterizada pela produção e consumo ilimitados de bens duráveis, sobretudo artigos supérfluos.

Não há nada de errado em querer consumir, o consumo é o que faz a roda da economia girar, por exemplo gerando empregos, e foi a alta do consumo interno com a ascensão da nova classe média, que manteve o Brasil relativamente seguro apesar da grave crise econômica nos chamados países de primeiro mundo. Sendo assim, não há nada de errado em você aproveitar os descontos (isso quando eles existem) para adquirir algo que você necessite. Mas é exatamente nesta última palavra, “necessidade” que está o xis da questão.

O problema é que estamos seguindo o conceito de felicidade que foi exatamente o motivo da derrocada do sonho americano, o consumo por status, ou melhor, o consumismo. Aonde só somos plenamente felizes e realizados se adquirirmos aquele bem que muitas vezes não precisamos mas que todo mundo tem, se os outros tem, porque não terei?  E acabamos consumindo sem que haja a necessidade daquele bem e muitas vezes sem planejamento, o que gera endividamento, lembra da moratória americana?

Consumimos por impulso, porque está barato, e não porque necessitamos daquele item. E os lojistas que sabem disso criam uma oportunidade de aumentar as suas vendas. E eles estão errados? Este é o core business deles, vender e gerar lucro. Se você não escolhe o que compra ou não faz planejamento não coloque a culpa do Black Friday, e sim no seu consumismo.

Na contra-mão de todo este impulso ao consumismo surgiu no Canadá o Dia Sem Compras – ou ‘Buy Nothing Day’, em inglês – o movimento não se limita a propor que você fique 1 dia sem adquirir algo novo – o que seria até fácil – mas em refletir sobre seus hábitos de consumo. A @samegui  em seu blog propôs uma reflexão: Para quê passar um dia sem comprar?

O movimento serve como alerta para as conseqüências ambientais e éticas do consumismo, afinal tudo que é comprado tem um impacto sobre o meio ambiente e a população. Todos sabemos que reciclar é bom para o planeta, mas consumir menos é essencial num mundo de recursos cada vez mais escassos. Como consumidores, temos que questionar nossos hábitos de consumo, a real necessidade de comprar determinados produtos, entender o papel da publicidade nesse ciclo e demandar posturas mais responsáveis por parte das empresas.

Consumo responsável é a questão, precisamos ser responsáveis pelas escolhas que fazemos. Uma boa fonte de informação sobre o tema é o Instituto Akatu – pelo consumo consciente. Se você ainda não viu, tire alguns minutinhos para conferir o documentário “A história das Coisas“, uma excelente reflexão sobre os hábitos de consumo da nossa sociedade.

E já que é final de ano, que tal aproveitar para refletir sobre o tema também com os seus filhos? Só não adianta colocar a culpa só nos comerciais, a família precisa educar para a questão e para os limites do consumo, novamente destaco a importância da reflexão sobre a necessidade daquele item. Compartilho com vocês a cartilha: Consumo Infantil na contra-mão da sustentabilidade  que lembra que:

Ninguém nasce consumista. O consumismo é um hábito que se forma a partir de valores materialistas

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O Timehope me lembrou de um ótimo texto da @DeniseRangel:  “A proposta do consumo consciente não é parar de consumir, mas sim, consumir de maneira diferente” http://t.co/EzVoUxBb 

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Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade

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17 comentários sobre “O problema não é o consumo e sim o consumismo #blackfriday

  1. Pingback: Antes de comprar, responda as 6 perguntas do consumo consciente

  2. Pingback: No dia do #BlackFriday, iniciativa convida a consumir conhecimento

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