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Que não se repita, o dia que durou 21 anos #Golpe64

Entre o dia 31 de março e 1º de abril de 1964, deflagrou-se o golpe militar para destituir o presidente João Goulart do poder. Censura, cerceamento à liberdade de expressão e perseguições políticas fizeram parte da história recente do país.

Não sei vocês, mas só de ler um trecho deste já dá um frio na espinha. Nasci já no fim da ditadura, então a única memória que guardo é da comoção popular com a morte de Tancredo Neves, primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar.

Mas não preciso ter vivido esta triste época da história de nosso país para ficar passada quando alguém vem com saudosismo. Sério gente, há quem diga que tem gente se mobilizando para um novo golpe militar. Não sou muito de teorias conspiratórias, mas por via das dúvidas vale aproveitar a data para relembrar e aprendermos com o nosso passado, para que o mesmo não se repita em nosso futuro.

Para começar, segue a lista que o jornalista Carlos Madeiro fez com Dez razões para não ter saudades da ditadura:

  1. Tortura e ausência de direitos humanos
  2. Censura e ataque à imprensa
  3. Amazônia e índios sob risco
  4. Baixa representação política e sindical
  5. Saúde pública fragilizada
  6. Linha dura na educação
  7. Corrupção (esse mal não é novo) e falta de transparência
  8. Nordeste mais pobre e migração
  9. Desigualdade: bolo cresceu, mas não foi dividido
  10. Precarização do trabalho

Vale a pena ler o artigo completo explicando cada um dos itens listados. Outra dica é o documentário: O dia que durou 21 anos.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

Além deste documentário, a TV Brasil irá exibir também uma série de programas jornalísticos sobre o período da ditadura, como Resistir É Preciso, Advogados Contra Ditadura e Militares pela Democracia. Saiba mais aqui.

Em tempos de redes sociais, perfil criado no Twitter narra como se fosss em ‘tempo real’, fatos do golpe de 64.

O perfil “Cronologia do Golpe” (@golpe1964) reúne frases, fotos, áudios e capas de jornais para dar uma ideia de como e quando ocorreram os principais fatos da época.

twitter-cronologia-do-golpe

Segundo um dos idealizadores, professor Marcelo Träsel, a ideia surgiu no fim do ano passado. “Queríamos fazer algo sobre o golpe que pudesse competir com o resto da imprensa, algo simples e que tivesse um impacto interessante. Então a gente se inspirou em outros perfis para reencenar o golpe em tempo real”.

Agora se depois de ver todas essas informações, você ainda tiver dúvidas do quanto negativo foi para o país. Lembre-de que 362 pessoas morreram ou desapareceram por se opor ao Governo fora os tantos outros que foram presos, torturados (inclusive famílias inteiras) ou exilados.

Você conhece alguém que saiu as ruas durante as jornadas de junho do ano passado? Um dos fatos que considero mais importante de nossa recente história, seria impossível durante a ditadura, sob o risco de todos (inclusive eu) serem presos por formação de quadrilha.

Sim, a nossa democracia ainda engatinha, mas ainda sou muito mais ela. Pois pelo menos temos a possibilidade de questionar, ir as ruas, cobrar de nossos representantes e continuar lutando pela sociedade que queremos.

DITADURA, NUNCA MAIS!

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Um comentário sobre “Que não se repita, o dia que durou 21 anos #Golpe64

  1. diego

    O golpe de 64 foi um capítulo curioso na História do Brasil. Havia uma política anticomunista nos Estados Unidos, devido a Guerra Fria. Eram tempos que os Estados Unidos estavam investindo maciçamente contra os soviéticos, seja em tecnologia espacial, militar e influência econômica e política o redor do mundo.
    A CIA atuava com força na América Latina. Patrocinando ditaduras, grupos de Direita, golpes de estado. Aqui encontraram o ambiente propício para agir. Com grupos entre os militares tentando há tempos aplicar um golpe de estado no Brasil, esses grupos se tornaram aliados inestimáveis para avançar com seus planos.
    Somente a forma como João Goulart pode assumir (parlamentarismo), já mostra como esses setores estiveram atuando desde o início para reduzir o poder do presidente ou manter sua influência acima dos planos dele.
    A CIA passou a patrocinar a mídia para manchar cada vez mais a imagem de Jânio Quadros e João Goulart (também conhecido como Jango).
    Jango acabou não ajudando muito a opinião pública. Suas pretendidas reformas de base iam contra os interesses dos Estados Unidos e da direita brasileira. Havia uma confusão e medo profundo dos “comunistas”, no qual Jango era confundido com esses ideais. E em meio ao medo provocado no povo, os militares puderam aplicar o golpe de 64, instaurar o regime militar e consumar a tomada de poder.

    Abraços

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